
Mais de dois mil milhões de pessoas deverão passar a ter acesso a água potável ou a saneamento básico até 2030. As melhores formas para o conseguir começaram esta semana a ser debatidas por 140 países em Marselha, França, no 6º Fórum Mundial da Água.
“Os desafios são imensos”, reconheceu o primeiro-ministro francês François Fillon, no seu discurso de abertura perante chefes de Estado e de Governo, ministros e representantes da indústria e da sociedade civil de 140 países. Fillon convidou os presentes a “reflectir sobre os meios para tornar universal o acesso a água potável até 2030”. Mais de dois mil milhões de pessoas vivem sem água potável e “contam-se aos milhões os mortos, todos os anos, por causa de riscos sanitários”, acrescentou. “Esta é uma situação que não é aceitável”, disse, apelando “à comunidade internacional para se mobilizar e resolver o problema”.
Os anteriores fóruns, iniciativas trienais do Conselho Mundial da Água, fizeram o diagnóstico sobre o acesso à água no mundo; agora, o de Marselha quer soluções. A presença de Portugal será visível através do Pavilhão do país e da participação da ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, secretário de Estado do Ambiente, Pedro Afonso Paulo, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, presidente da Parceria Portuguesa para a Água e ex-ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, além de vários técnicos e especialistas no sector, segundo a Lusa.
De acordo com o 4º Relatório da ONU sobre a água no mundo, apresentado hoje no fórum, o aumento da população – que passará a 9 mil milhões em 2050 – e as inundações e secas, trazidas pelas alterações climáticas, ameaçam os recursos hídricos se nada for feito.
“A água doce não está a ser usada de forma sustentável”, disse a directora-geral da Unesco, Irina Bokova, em comunicado. “As informações rigorosas ainda não são a regra e a gestão está fragmentada... O futuro é cada vez mais incerto e os riscos vão agravar-se”, acrescentou.
Segundo Irina Bokova, citando o relatório da ONU, o consumo de água pela agricultura já representa cerca de 70% da água doce usada no mundo e deverá aumentar, pelo menos, 19% até 2050, quando a população mundial chegar aos nove mil milhões de pessoas.
Uma “revolução silenciosa” está a decorrer no subsolo, avisa o relatório, à medida que a quantidade de água extraída dos aquíferos triplicou nos últimos 50 anos, fazendo desaparecer uma barreira contra a seca. “As alterações climáticas vão afectar drasticamente a produção de alimentos no Sul da Ásia e no Sul de África, entre agora e 2030”, alerta o relatório. “Em 2070, o stress hídrico também vai afectar a Europa Central e do Sul”.
Um outro relatório, da Organização para a Cooperação Económica e Desenvolvimento (OCDE) e divulgado na semana passada, estima que a procura mundial de água vai aumentar 55% em 2050, com mais de 40% da população mundial a viver em bacias hidrográficas ameaçadas pelo stress hídrico.
Este documento alerta que, com uma reserva de água limitada, os gestores políticos serão obrigados a fazer uma melhor gestão entre a procura para a agricultura, energia, consumo humano e saneamento básico.Na semana passada, a Organização Mundial de Saúde disse que 89% da população mundial já tem acesso a água potável, cumprindo em 2010 uma das metas dos Objectivos do Milénio, para 2015.
Fonte: Ecosfera.
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