A Sabesp realizou um estudo técnico inédito na Estação de Tratamento de Esgotos ABC, na divisa de São Caetano com São Paulo, para avaliar os tipos de resíduos retidos nas grades durante o processo de tratamento preliminar do esgoto. Nesta fase são removidos os sólidos grosseiros que chegam à estação. A ETE ABC atende Santo André, São Bernardo, Diadema, São Caetano, Mauá e uma parte da capital.
O estudo, realizado pela equipe da ETE ABC, ajudará a subsidiar campanhas e ações de educação sanitária focadas nos tipos de resíduos mais gerados por usuários residenciais, comerciais e industriais. Também permitirá desenvolver equipamentos e operações para remover melhor os resíduos, prevenindo problemas de manutenção, como travamento das grades.
De acordo com o assessor de meio ambiente da Presidência da Sabesp, Marcelo Morgado, na passagem pela grade grossa, com espaçamento de 80 mm, os resíduos mais retidos foram fibras e fiapos (61% em peso), seguidos de tecidos de algodão e celulose (21%). Em terceiro lugar em quantidade ficaram os plásticos/borrachas pré-moldados - cotonetes, ganchos de embalagens, elásticos, preservativos etc. Retira-se 1.300 kg por mês de resíduos nesta etapa.
Após passar pelo gradeamento grosso, o esgoto é bombeado pela estação elevatória para o canal da grade média, ainda antes do início do tratamento biológico. Esta grade tem espaçamento de 25 mm. Neste estágio, o material apresentou menor teor fibras/cabelos (26%), o que reduz o risco de emperramento do equipamento, o que já provocou quebras. Nesta fase são retirados 1.000 kg/mês.
No grupo dos tecidos, foi observada grande presença de TNT, utilizado em fraldas descartáveis, absorventes, panos de limpeza e lenços umedecidos. “Isso demonstra que panos de limpeza de banheiro estão sendo jogados na privada”, diz o assessor de meio ambiente da Sabesp, Marcelo Morgado.
Já na grade fina – com espaçamento de 6 mm –, novamente fibras (cabelos e fibra sintética) tiveram maior presença (45%), seguida de pelotas de gordura (20%), associados ao lançamento indevido de óleo de fritura na rede. Também foram encontradas muitas pontas de cigarro (7%) e cascas de barata. Notou-se ainda a presença de cápsulas utilizadas para armazenar drogas ("pinos") ou medicamentos, indicando o hábito de usuários de drogas de lançar o resíduo no vaso sanitário para evitar que se detecte sua presença no lixo.
“O estudo é útil também para que conheçamos melhor as causas de obstrução e eventual dano às tubulações, bombas, ventosas e outros equipamentos da rede de coleta, incluindo coletores, interceptores, linhas de recalque e elevatórias, além de ajudar a prover elementos para estudos comportamentais sobre hábitos da população", comenta Marcelo Morgado.
Entre as conclusões do estudo, ele afirma: “utilizar o vaso sanitário para jogar alguns destes tipos de detritos volumosos requer grande volume de água de descarga, algo que pode ser objeto também de campanhas de uso racional da água. Além disso, alguns tipos de resíduos estão associados a atividades executadas em banheiros, como uso de cotonetes e fios dentais. Outros como as embalagens de alimentos (potes de iogurte e pacotes de biscoito, papéis de bala e canudos de pirulito) estão provavelmente ligadas ao consumo infantil, o que requer atenção específica em campanhas educativas nas escolas. Uma parte significativa dos resíduos é reciclável e seu lançamento na rede significa desviá-los de programas de coleta seletiva.”
O estudo foi apresentado no XII SIMAI, Seminário Internacional de Meio Ambiente Industrial, realizado em São Paulo, em novembro.
A ETE ABC começou a operar em 1998. Hoje beneficia 1,4 milhões de habitantes. A vazão atual é de 1,6 mil litros por segundo, mas a capacidade do equipamento é para tratar uma vazão média de 3 mil litros por segundo.
Fonte: Sabesp
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