Conhecido como o “primo pobre” da infraestrutura, o saneamento básico ainda é uma das principais “pedras no sapato” que o Brasil precisa solucionar para melhorar a condição de vida de sua população. Nos próximos quatro anos, quando o país será comandado pela presidente eleita Dilma Rousseff (PT), o governo pretende investir R$ 45 bilhões no setor (foram R$ 40 bilhões entre 2007 e 2010), mas estima-se que seja necessário pelo menos o dobro de investimentos para universalizar o serviço de coleta de esgoto no país – o saneamento básico ainda inclui acesso à água tratada e o tratamento do esgoto coletado.
Segundo dados de 2009 da Pnad (Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 41% das casas brasileiras ainda não têm rede de esgoto adequada. O problema é ainda pior nas regiões mais pobres. Para se ter uma ideia, em 2009, apenas 13,5% das residências na região Norte eram atendidas por redes de esgoto. Além de causar graves problemas de saúde – as crianças são as mais prejudicadas –, a falta de um serviço adequado de coleta de esgoto também prejudica a economia brasileira, como explica Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.
- Por ano, 217 mil trabalhadores precisaram se afastar do trabalho, por cerca de 17 horas, devido a problemas de saúde ligados à falta de saneamento. São quase R$ 250 milhões gastos anualmente pelas empresas com horas pagas e não trabalhadas. Levantamento divulgado em julho deste ano pelo instituto, em parceria com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), mostra que, ao ter acesso à rede de esgoto, um trabalhador aumenta sua produtividade em 13,3%.
Cidades
De acordo com Carlos, embora o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) seja um avanço, grande parte dos recursos investidos anualmente na área não são convertidos em obras.
- São vários problemas que prejudicam o andamento das obras. O primeiro é a falta de projetos adequados tecnicamente. Muitas vezes, quando o projeto é aprovado, a configuração urbana da cidade já mudou, as licenças ambientais demoram muito para
sair. […] Muitos municípios de pequeno e médio porte não tem capacitação técnica para elaborar um projeto e, às vezes, não conseguem recursos nem para fazer o seu plano municipal de saneamento, que é uma exigência por lei.
Um dos agravantes do problema foi o longo período em que a infraestrutura foi deixada de lado pelos governos. Segundo Carlos Campos Neto, coordenador de infraestrutura do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o Brasil passou cerca de 25 anos investindo muito pouco na área – entre 1980 e 2005 – devido às crises que atravessava, enquanto os gargalos se acumulavam. Os investimentos só foram retomados nos últimos anos, mas ainda são considerados insuficientes.
O diretor do Trata Brasil ainda diz que a área costumava ser negligenciada pelas prefeituras, já que, “obra enterrada não rende votos”.
- A desinformação é tão grande que muitas das pessoas não associam a falta de esgoto, aquela vala negra, às doenças. Então eles cobram postos de saúde, mas não cobram saneamento básico.
O especialista diz acreditar que a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil ajudará a “zerar” os problemas nas 12 cidades sedes dos jogos. Ele, porém, lembra que o governo ainda precisa pensar em soluções para auxiliar os municípios a realizarem seus planos, para que o país deixe de vez o chamado “ranking da vergonha”.
Fonte: R7.com
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