quinta-feira, 13 de maio de 2010

País não pode depender só do BNDES, afirma Dilma

O Brasil não pode depender apenas do BNDES para financiar investimentos em infraestrutura. `O Estado é indutor, mas o setor privado é importante. Sem ele não se faz uma avenida nem uma hidrelétrica.` A afirmação foi feita por Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência da República, durante o seminário `Brazil Infrastructure Summit`, realizado no Rio, pelo Valor e pelo `Financial Times`. A ex-ministra disse que o setor privado é essencial para que os investimentos de infraestrutura saiam do papel. `O país não pode se conformar com uma única fonte de financiamento`, afirmou.

Dilma disse que cabe ao governo buscar uma arquitetura de financiamento de longo prazo. `As condições atuais convergem para que o país seja extremamente atraente. Por que não para o sistema financeiro?`, questionou.

Segundo ela, o Orçamento Geral da União não é suficiente para viabilizar todos os financiamentos de longo prazo necessários ao desenvolvimento do Brasil. Dilma afirmou que com o Orçamento é possível fazer investimentos em casa própria, em saneamento, mas não nas grandes obras. `Os asiáticos resolveram o problema dando os recebíveis como garantia. Aqui, vamos ter que estruturar nossa forma de fazer, com os bancos ou os fundos de pensão, por exemplo.`

O financiamento do trem-bala é considerado um dos pontos mais críticos, porque, como o custo é muito alto, ainda será necessário descobrir como fazer o investidor estrangeiro se interessar por ele. `O governo fez o leilão de hidrelétrica e você imagina que acabou? Não, agora tem que discutir o financiamento.`

Para a ex-ministra, o financiamento das obras é fundamental para para que o PAC saia do papel. Segundo Dilma, o Estado já está fazendo a sua parte para aumentar a poupança pública. Ela defende um Estado que tenha gestão e que gaste menos. `Eu cheguei no Ministério de Minas e Energia e havia um engenheiro para 20 motoristas. Não é possível um Estado que pague salários 40 vezes maior que a iniciativa privada`, afirmou, ao defender um Estado eficiente e que use recursos destinados para aquilo que é necessário.
A ex-ministra também disse que é preciso fazer uma reforma tributária para tornar o país mais competitivo e aumentar a produtividade da indústria. `Também é necessário uma simplificação tributária, atacar o tal imposto em cascata`, explica. Mas pondera que isso não pode ser feito de cima para baixo, é necessário negociar com cada ente da federação para não gerar conflitos tributários entre os Estados, o que inviabiliza a aprovação política de qualquer reforma.

Dilma também falou da necessidade de se reduzir as taxas de juros a níveis compatíveis com os países desenvolvidos. No entanto, disse que, para isso, é necessário reduzir a relação dívida líquida/PIB e o déficit nominal do país. `Estávamos fazendo isto, mas a crise interrompeu esta trajetória`, lembra a candidata. Mesmo assim, a ex-ministra lembra que hoje a relação já e de 3,5%. `Nem a Alemanha, muito menos os Estados Unidos ou qualquer país da Europa tem este índice atualmente`, afirma.

Para resolver um outro gargalo do país, o do transporte aéreo, a ex-ministra propõe a privatização da Infraero e a ampliação dos aeroportos através da construção de módulos. Segundo ela, é possível fazer isso `em meses`.

Fonte: Valor Econômico

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