Em meio aos problemas gerados pelo acúmulo de lixo nas sociedades modernas, a preocupação com a destinação ideal dos resíduos sólidos tem de se tornar uma discussão fundamental. Isso porque, além de se evitar danos à saúde e ao meio ambiente, ao se adotar medidas para destinar os resíduos podem contribuir, inclusive, para a sustentabilidade das cidades, como ressalta Roberto Rodrigues, presidente da Emlurb.
De acordo com ele, ao ser recolhido e ser destinado de forma correta, como em entidades que trabalhem com reciclagem, pode-se contribuir para empregos, renda, impedir a poluição e agressão ao meio ambiente. Até porque, ao invés de ser `rebolado no mato`, como popularmente se fala, pode-se reaproveitar os resíduos para a fabricação de outros produtos. `Pontos de lixos são formados diariamente pela população, inclusive nos telhados. Olhar para todos os ambientes, até para os telhados e dentro das casa, como os forros, é fundamental`.
O problema, como critica o professor de Gestão Econômica Ambiental da Unifor, Albert Gradvohl, é que Fortaleza `é uma cidade ainda não sustentável. Os poucos projetos que existem são localizados`. E, por conta desse fator, agravado pela ausência de uma política de gestão de resíduos sólidos em Fortaleza, se `influencia as camadas mais pobres a esses comportamentos`, relaciona Gradvohl, tal como `jogar` o lixo em locais inadequados, a exemplo dos telhados, e a não se preocupar com a destinação.
Diante dessa quadro, estipula o doutor em Geografia Física, Jeovah Meireles, a solução indicada seria a mudança de paradigmas. `Principalmente os valores e comportamentos sociais voltados para uma cidade que preserve e recupere seus ecossistemas urbanos, no lugar de uma elevada voracidade de especulação imobiliária`.
Conforme Meireles, uma possibilidade é ampliar a produção de alimentos, por meio da agroecologia, sem agrotóxicos; inverter valores de financiamentos, priorizando a agricultura familiar, em vez do agronegócio, que utiliza doses maciças de agrotóxicos.
`Por fim, pode-se estimular uma política de reciclagem profunda, aliada ao consumo consciente e verdadeiramente sustentável`.
O caminho para isso, indica a arquiteta e urbanista Nájila Cabral, doutora em Ciências da Engenharia Ambiental e professora do Instituto Federal de Educação (IFCE), é a educação ambiental e a operacionalização efetiva do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, que, no Estado, existe na maioria dos 184 municípios.
`A educação ambiental é um instrumento importante para internalizar na consciência de cada cidadão seu papel diante da proteção do meio ambiente e a possibilidade da manutenção da qualidade ambiental, em médio e longo prazo`, considera.
Fonte: Diário do Nordeste
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